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Ele está de volta

Vivemos um momento político seríssimo, muito conturbado e imprevisível. Nessas horas, o melhor a fazer é olhar para trás. Analisar o passado é uma maneira de interpretar e entender o presente e evitar que coisas ruins aconteçam no futuro.

 

Eu já tive a oportunidade de visitar a Alemanha, estive em Berlim e Munique. Lá constatei incontáveis memoriais, museus e obras de arte relacionadas à Segunda Guerra Mundial. Questionado sobre o porquê de tanta ênfase nesta fase da história, um guia turístico local me respondeu: “Para que isso não saia da memória das pessoas, e que nunca aconteça de novo algo tão terrível.”.

Venho indicar hoje um filme que foi adaptado de um livro sobre o qual já até escrevi a respeito aqui para vocês. Ele Está de Volta (título original: Er Ist Wieder Da) foi lançado em 2015. É um filme dirigido por David Wnendt e escrito pelo mesmo, em parceria com  Mizzi Meyer, Marco Kreuzpaintner e Johannes Boss, com base no livro homônimo de Timur Vermes. O longa mostra a volta de Adolf Hitler, que aparece num terreno baldio de Berlim em pleno ano de 2014.

 

Apesar de pouco fiel ao livro, o roteiro é muito bem escrito e consegue ser convincente. Com um humor muito ácido, a história é contada com muita fluidez. O fato de os personagens não terem muita profundidade não incomoda, já que o protagonista é um personagem tão carismático e intrigante.

A direção é eficiente e em harmonia com a premissa da trama. David Wnendt apresenta uma direção dinâmica e moderna, com cortes rápidos, muitas cores e um quê de videoclipe que dá um charme a mais.

É um filme divertidíssimo, mas que também coloca o espectador para pensar. É muito fácil que um povo dominado pela apatia, crises internacionais, individualismo e insegurança se deixe levar por discursos mais enérgicos e populistas. Não estamos imunes a sermos surpreendidos por ditadores sádicos e obcecados.

 

De uma maneira divertida, Ele Está de Volta nos faz pensar, não só na história do mundo, mas na nossa própria história.

E fica claro que quem realmente pode mudar os rumos somos nós mesmos e nossas escolhas.

Para o bem e para o mal.

Filme recomendadíssimo.

Não deixe de assistir.