Dois helicópteros colidiram no ar e caíram no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, na manhã deste domingo (14). O acidente matou seis pessoas, provocou a explosão de uma das aeronaves e incendiou cerca de 20 veículos elétricos estacionados em um pátio de concessionária da BYD na Avenida das Américas. As causas da colisão ainda são investigadas pelo Cenipa, órgão da Força Aérea Brasileira responsável pela apuração de acidentes aeronáuticos.
O chamado ao Corpo de Bombeiros foi registrado às 8h59. Não há sobreviventes. Esta matéria reúne apenas o que as autoridades confirmaram até o momento.
Como o acidente aconteceu
Os dois helicópteros de pequeno porte, de matrículas PP-MAC e PR-DJJ, se chocaram durante o voo e despencaram em pontos distintos do mesmo terreno, situado no quarteirão entre a Avenida das Américas e as ruas Beth Lago e Rivadávia Campos. O impacto ocorreu pouco antes das 9h.
O tenente-coronel Fábio Contreiras, porta-voz do Corpo de Bombeiros, confirmou que as duas aeronaves caíram a cerca de 100 metros de distância uma da outra. Uma delas explodiu ao atingir o solo. As chamas se espalharam rapidamente pelo pátio de armazenamento da BYD, incendiando veículos elétricos novos.
O contato do fogo com as baterias de íons de lítio dos automóveis causou uma série de explosões secundárias que assustaram moradores e dificultaram os trabalhos iniciais de combate ao incêndio. Uma espessa coluna de fumaça preta ficou visível de vários pontos da região.
O fogo foi controlado por volta das 10h. Peças das aeronaves foram encontradas a centenas de metros do local do impacto, segundo o Corpo de Bombeiros.
Quem eram as vítimas
A Polícia Civil do Rio de Janeiro divulgou a relação oficial das seis vítimas. No primeiro helicóptero, o Bell 206 Jet Ranger de prefixo PP-MAC, estavam o piloto Alexandre Souza e quatro passageiros: o cantor norte-americano Oliver Tree Nickel, de 32 anos; o produtor musical Lucas Brito Chaves Frota; o diretor Lucas Vignale, de 28 anos; e o youtuber argentino Gaspar Prim, de 23 anos, conhecido como Gaspi.
No segundo helicóptero, um Airbus H125 de prefixo PR-DJJ, estava apenas o piloto Charles Marsillac. Segundo autoridades locais, essa aeronave realizava um abastecimento quando ocorreu a colisão. Os corpos de todas as vítimas foram encaminhados ao Instituto Médico Legal Afrânio Peixoto, no Centro do Rio.
As aeronaves envolvidas
O Bell 206 Jet Ranger (PP-MAC) foi fabricado em 1999 e pertencia à empresa Turfik Comércio de Frutas Ltda., que o adquiriu em 2024. O Airbus H125 (PR-DJJ) era fabricado em 2012. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) confirmou que as duas aeronaves estavam com a documentação em situação regular no momento do acidente.
O helicóptero que transportava Oliver Tree havia decolado de Mangaratiba, na Costa Verde fluminense, com destino a Angra dos Reis. Segundo especialistas em aviação, colisões entre helicópteros em voo são consideradas raras, especialmente em rotas conhecidas e frequentemente utilizadas.
A operação de emergência
O Corpo de Bombeiros mobilizou cerca de 45 militares e 15 viaturas para atender à ocorrência. Equipes do Grupo de Operações Especiais (GOEsp) e da Coordenadoria de Veículos Aéreos Não Tripulados participaram da ação. Agentes da Polícia Civil, Polícia Militar, CET-Rio, Centro de Operações Rio (COR) e Comlurb também atuaram no local.
A pista lateral da Avenida das Américas, na altura da estação de BRT Gilka Machado, sentido Santa Cruz, foi interditada durante a manhã, com desvio pelo corredor central e retenções no trânsito da região.
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O que dizem as autoridades e a BYD
O Cenipa informou que investigadores do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa III), sediado no Rio de Janeiro, foram acionados para a ação inicial. Os técnicos trabalham na preservação do local, coleta de evidências, análise dos destroços e levantamento de registros operacionais das aeronaves.
A Anac emitiu nota afirmando que acompanha o caso e apura a situação das aeronaves e dos pilotos envolvidos. O órgão reiterou aos passageiros da aviação geral que verifiquem a documentação de empresas e aeronaves antes de embarcar.
A BYD divulgou nota lamentando o acidente e informando que presta apoio no local por meio da concessionária. A montadora afirmou estar à disposição das autoridades competentes para colaborar com o que for necessário.
O caso foi registrado na 42ª Delegacia de Polícia, no Recreio dos Bandeirantes, que conduz as investigações junto ao Cenipa. As causas da colisão ainda não foram divulgadas oficialmente.
O que ainda não está confirmado
Até a publicação desta matéria, o Cenipa não divulgou nenhuma hipótese oficial sobre as causas da colisão. A investigação deve analisar as trajetórias percorridas pelas aeronaves, os planos de voo registrados, as condições meteorológicas no momento do acidente, os históricos dos pilotos e eventuais falhas mecânicas.
Vídeos não verificados circulam nas redes sociais com diferentes versões sobre o que ocorreu antes do choque. Esta reportagem não reproduz nenhum conteúdo sem respaldo das autoridades.

