Pato Branco

Justiça proíbe a venda de andadores de bebês

Uma liminar expedida pela Justiça gaúcha, ainda em dezembro, proibiu a venda de um modelo específico de andador para bebês, em todo o país. Por afetar apenas um dos quatro modelos de andadores existentes no mercado nacional, a medida pode ter pouco impacto, mas a decisão atendeu a uma ação movida pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Divulgação
O uso de andador é desaconselhado pela SBP, independente do modelo

O modelo proibido é aquele tradicional, em que a criança caminha sentada. Os modelos que não entram na proibição são os que possuem móbile acoplado, com alça e um considerado mais moderno. Porém, também são desaconselhados.

As restrições ocorrem somente com essas especificações porque a ação que entrou contra as fabricantes não incluiu todas as marcas nacionais, todos os tipos e tampouco as marcas importadas, que correspondem a 55% dos mais de 2 milhões de andadores vendidos anualmente no país.

Existia grande expectativa para que a Justiça decidisse pela proibição, já que tramitam pelo Congresso Nacional projetos de lei que pedem a eliminação de andadores do mercado. O próprio Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia avaliou dez marcas em julho e nenhuma passou no teste. A SBP promove uma campanha contra o uso de andadores por acreditar que eles apenas prejudicam o desenvolvimento das crianças.

Segurança

O pediatra Danilo Blank, da Sociedade Brasileira de Pediatria explicou que a SBP, por meio de seu Departamento Científico de Segurança, contraindica o uso de qualquer tipo de andador em virtude dos riscos de traumatismos diversos a que expõem os bebês, principalmente quedas com potencial de lesões graves e até a morte.

Questionado se existem modelos de andador que os pediatras consideram seguros para o desenvolvimento correto da criança, Blank frisou que “a posição oficial da Sociedade Brasileira de Pediatria é pelo banimento da comercialização de todos os tipos de andador”.

A decisão da SBP de mover uma ação contra o uso de andadores, segundo Blank, se baseou em estatísticas estrangeiras e relatos de traumatismos e morte de crianças brasileiras. “Embora se trate de um mecanismo de traumatismo que causa um número absoluto relativamente pequeno de mortes, justifica-se o banimento do uso de andadores por tratar-se de equipamento desprovido de qualquer utilidade do ponto de vista do desenvolvimento da criança, cuja única vantagem prática seria a liberação da responsabilidade de supervisão por parte dos pais e cuidadores”, destacou.

Outra análise

Outra análise dos pediatras, que reforçam a necessidade de proibição dos andadores, é que eles ensinam a criança a caminhar errado, com as pernas flexionadas, o que leva a encurtamento do tendão. Também há estudos comprovando que os bebês que usam andadores demoram mais tempo para caminhar porque afetam o desenvolvimento psicomotor.

Segundo entrevista concedida à imprensa gaúcha, a juíza Lizandra Cericato Villarroel, de Passo Fundo, explicou que a decisão segue uma tendência internacional de proibição dos equipamentos, já que “a Inglaterra, o Canadá e vários estados nos Estados Unidos proíbem o uso”.

Ela contou que também se baseou em pesquisas como a austríaca chamada "Andadores: Uma Ameaça Subestimada para Nossas Crianças?", que revelou que 55% das famílias com crianças investigadas usavam o aparelho. Dessas, uma em cada cinco havia sofrido algum acidente relacionado ao andador. “A Aliança Europeia para Segurança Infantil aponta ainda que esse é o tipo de utensílio infantil que mais provoca lesões em bebês, 90% das quais ocorrem na cabeça”.

Pato Branco

O pediatra Fernando Rios, que atua na Policlínica de Pato Branco, concorda com a posição da SBP. Para ele, todos os modelos de andadores não são indicados para crianças em desenvolvimentos e sadias. “Estas crianças irão adquirir suas habilidades motoras normalmente sem a necessidade desses tipos de equipamentos. Os riscos com o uso de andadores são muito maiores que os seus benefícios, como acidentes tipo queda, queimaduras e outros. Exemplos facilmente encontrado nas redes, sites leigos e de organizações representantes de especialidades e responsáveis por estimular o bom cuidado com a criança”, destacou.

Rios também é enfático em afirmar que não existe modelo mais adequado para o uso, “todos os modelos expõe desnecessariamente a criança ao risco de acidentes”.

Ela acredita que a medida tomada pela juíza, foi correta, baseada em fatos, pesquisas e com endosso da Sociedade Brasileira de Pediatria. “Existem pesquisas feitas pela Academia Americana de Pediatria, pelo governo do Canadá e outras entidades, que mostram que não existe a necessidade de uso de andador para estimular o desenvolvimento psicomotor da criança”, ressaltou.

Campanha da SBP

Desde o início de 2013, a SBP e outras instituições realizam um amplo movimento para banir o uso dos andadores, exigindo providências das autoridades e divulgando para as famílias que são equipamentos perigosos e desnecessários.

 

O que dizem os pediatras?

1. Andadores não trazem qualquer benefício ao desenvolvimento da criança, motor ou mental

2. Seu uso pode até retardar o desenvolvimento da marcha infantil em algumas semanas ao alterar o funcionamento normal da estrutura muscular

3. Os perigos que o andador traz à criança incluem:

— Risco de quedas pelo tombamento do andador e pelo uso em escadas

— Ameaça de acesso facilitado a perigos como fogão aceso, substâncias tóxicas, etc.

— Possibilidade de choque contra paredes ou objetos em velocidade elevada

4. Muitas vezes, é utilizado como instrumento para o bebê se distrair enquanto os pais realizam outras atividades — o que é duplamente perigoso, já que o uso do equipamento sem supervisão facilita os acidentes