Região

Famílias ocupam terrenos público em Itapejara D’Oeste

 

Marcilei Rossi

 

 

Ocupação já dura mais de 45 dias e, além de terrenos estarem demarcados com nomes de invasores, alguns já têm edificações

 

Cerca de 200 terrenos do município no bairro Fênix, em Itapejara D’Oeste, que segundo a atual administração seriam destinados a moradias populares, estão sendo ocupados por famílias que afirmam não ter condições de pagar aluguel.

Em algumas situações, os invasores já iniciaram ou até mesmo concluíram a edificação de residências, contudo, o que mais se observa nos terrenos são placas com os nomes de seus supostos proprietários e outros cercados com arame farpado.

Um dos ocupantes que já está construindo no terreno público é Luiz Carlos Martins. Ele diz estar cansado de pagar aluguel, que no seu caso é de R$ 500 por um imóvel de três quartos, sala, cozinha e banheiro.

Segundo Luiz, a casa de alvenaria que já recebe os primeiros blocos está sendo construída com a ajuda das irmãs que já possuem residência própria. Ele também relata ter recebido a indicação do ex-prefeito, Eliandro Luiz Pichetti para ocupar um terreno, ainda em seu mandato (mês de novembro). “Eu fiz o cadastro (cerca de 2 anos) para ganhar uma casa, mas quando ele (Eliandro) perdeu a eleição me chamou e disse, ‘entra lá e faz a tua casa’”.

Luiz comenta ainda que o ex-prefeito o indicou para incentivar que outras famílias invadissem os terrenos, porém, segundo ele, esta não foi sua atitude, por medo de ação dos outros invasores caso houvesse reintegração de posse. No entanto, ele afirma que quando chegou ao terreno outras famílias já estavam ocupando o local.

Luiz diz ter procurado também o prefeito Agilberto Perin para falar sobre a ocupação, e afirma ter ouvido do gestor que assumiu em 1º de janeiro que ele poderia construir no terreno, desde que a casa fosse com uma boa estrutura para que posteriormente não tivesse que ser demolida.

 

Ocupações

Segundo Perin, até o momento a administração fez um levantamento superficial do número de ocupações, o que impede de precisar quantas são as famílias que estão no local no momento. Contudo, ele afirma que o número não deve chegar a 200.

Ele relata que a área tem aproximadamente 250 imóveis do município, e pelo levantamento, cerca de 200 foram demarcados como propriedades das pessoas que invadiram os lotes.

“Famílias são poucas as que estão no local, o que se observa é uma grande quantidade de terrenos cercados, alguns com barracas e outros que estão começando a construir”, resume o prefeito, afirmado que também foi identificado que algumas pessoas demarcaram dois terrenos com a finalidade de posteriormente comercializar o lote.

Cadastro

Com ralação ao cadastro habitacional do município, Perin afirma estar se inteirando ainda com relação à situação de Itapejara D’Oeste. Ele voltou a afirmar que a situação econômica do município é “gravíssima”, o que o levou a paralisar todas as ações para definir os encaminhamentos.

Para o prefeito, as atividades devem ser retomadas após o dia 15 de janeiro, quando segundo ele, os setores responsáveis pelos cadastros, incluindo o habitacional, serão mobilizados para verificar os dados detalhados da situação da ocupação.

Por enquanto, o município, segundo o prefeito, tomou a única medida cabível no momento, que era a de notificação dos invasores para por meio do setor Jurídico trabalhar para reintegração de posse da área.

 

Ex-prefeito

O ex-prefeito, Eliandro Luiz Pichetti foi procurado pela reportagem do Diário do Sudoeste para responder sobre a declaração dos ocupantes de que ele teria estimulado a ocupação dos imóveis, no entanto, não atendeu e não retornou as ligações.