Vanilla

É tempo de caminhar

Exercício físico não tem época, mas o verão parece convidar para as caminhadas. Da melhora do condicionamento físico à redução do estresse, os benefícios são vários, mas também é preciso cuidados

Helmuth Kühl
Caminhantes, na UTFPR - Câmpus Pato Branco

Nos últimos cinco anos, a comerciária Marli Babinski mantém uma rotina regular de caminhadas. Três vezes por semana, ela segue até a pista de atletismo da UTFPR, em Pato Branco, e realiza 15 voltas completas, percurso feito em cerca de 1h30.

Ela começou a se exercitar por recomendação médica, para reduzir índices de colesterol e triglicerídeos, e assim escapar do diabetes, que estava quase aparecendo. Hoje, segundo ela, tudo está sob controle, mas não é só isso. “Sinto uma resistência maior para o trabalho, mais disposição, a autoestima fica elevada, a ansiedade diminui, e depois do exercício você fica com uma sensação muito gostosa”, descreve.

Os benefícios citados por Marli são consequência de qualquer atividade física. Mas ela conta ter escolhido a caminhada por dois fatores: a possibilidade de se exercitar ao ar livre e interagir com outras pessoas. “Eu costumava vir as 6h, e encontrava o senhor Astério Rigon, que chegava as 5h”, lembra a comerciária, citando o já falecido ex-prefeito de Pato Branco.

Quando conversou com Vanilla, Marli caminhava no fim da tarde, horário mais movimentado na pista da UTFPR, principalmente nos meses de horário de verão. 
Por lá também estava a professora Luana Lima. Ela passou a caminhar com frequência desde o início do ano, por sugestão de um médico. Sua intenção era diminuir as tensões da rotina. “Aqui é mais tranquilo, sem muito barulho, e procuro caminhar para desestressar”.

Depois de alguns meses caminhando cerca de meia hora, de duas a três vezes por semana, Luana conta ter percebido outras mudanças, como o melhor aproveitamento das noites de sono. “Acho que por extrapolar aqui a qualidade do sono fica melhor”, completa.
Assim como Marli e Luana, muitas pessoas, de várias idades, reservam parte do seu dia a uma caminhada, seja mais leve, mais intensa, sozinhas, acompanhadas, em pistas de atletismo ou pelas calçadas; e a grande adesão a esse tipo de exercício tem várias justificativas.

Helmuth Kühl
Marli Babinski caminha para se exercitar ao ar livre

“A caminhada é considerada o exercício mais seguro dentre as atividades aeróbicas, por conferir proteção ao sistema cardiovascular, músculo-ligamentar e ósteoarticular”, explica o professor de Educação Física, especialista em Treinamento Esportivo e Fisiologia do Exercício, Silvério Corazza, que sustenta o depoimento de Marli e Luana: “a caminhada, assim como os exercícios físicos regulares, proporcionam inúmeros benefícios, dentre os quais podemos citar o aumento da capacidade cardiorrespiratória, força, flexibilidade e resistência, redução dos percentuais de gordura, redução dos problemas cardíacos, redução da ansiedade, do estresse, ou seja, a prática da atividade física visa promover a saúde”.

Corazza diz ainda que qualquer pessoa, independentemente da idade e do condicionamento físico, pode praticar caminhadas. “Contudo uma avaliação médica sempre é fundamental para afastar possíveis riscos à saúde, bem como a orientação de um profissional de Educação Física quanto à duração e intensidade da caminhada”, orienta.

O acompanhamento, segundo o professor, não serve apenas para conhecer as condições físicas, mas também para mensurar a evolução do condicionamento físico. Corazza deixa um alerta: “Se após a atividade você sentir com náuseas, tontura, dores no peito ou falta de ar intensa, é recomendável um contato com o médico”.

Onde

Como adiantou o professor, caminhar também exige precauções. Além das orientações profissionais, também é preciso levar em conta horários, roupas, e o terreno. Há quem prefira caminhar nas pistas, mas também há quem opte pelas calçadas.

“Eu prefiro a rua pela paisagem, apesar de exigir um pouco mais de atenção, por conta do trânsito e dos pedestres”, conta Oldair Giasson, professor universitário e contador em Pato Branco.

Giasson pratica esportes desde a juventude, quando sua modalidade principal era o futebol. A necessidade de aprimorar o desempenho em campo o levou para as academias e para as ruas. Segundo ele, os tempos de bola já passaram, mas o hábito de se exercitar permaneceu.

Helmuth Kühl
"Procuro caminhar para desestressar", Luana Lima, professora

Ele caminha de duas a três vezes por semana, em percursos de cerca de 8 Km, sozinho ou na companhia da mulher. Caminhar, para o contador, significa uma aliança entre exercitar-se, reduzir o estresse, e também refletir. “A caminhada é um momento de relaxamento e reflexão, principalmente hoje em dia, com o envolvimento em várias atividades diferentes”, detalha.

Para Corazza, o importante é escolher um ambiente onde o praticante se sinta bem, e quanto mais plano for o terreno, melhor, o que é um desafio de se encontrar em uma cidade como Pato Branco, cheia de subidas e descidas. Por isso, o professor recomenda que os iniciantes prefiram as pistas e parques.

Roupas

Se expor a temperaturas muito altas, ou muito baixas durante o exercício não é saudável. De acordo com Corazza, percursos arborizados são recomendáveis, assim como o essencial protetor solar e uma garrafa d´água, para manter-se hidratado durante o exercício.

Ainda segundo o professor, roupas leves facilitam a transpiração e os movimentos, e também é importante escolher tênis confortáveis. “Se for caminhar pela manhã ou em um horário de temperaturas mais baixas, utilize um agasalho de algodão”, completa.

Antes e depois da caminhada é preciso realizar alongamentos, especialmente dos membros inferiores. O início do trajeto deve ser mais leve, um aquecimento para as passadas mais rápidas.

Começar

A avaliação de um profissional ajudará a determinar a intensidade e duração dos exercícios para cada praticante, mas de modo geral, Corazza explica que a caminhada deve ser iniciada aos poucos, para que o corpo se adapte gradativamente à nova rotina. Ele sugere iniciar com três caminhadas por semana, com duração de 10 a 15 minutos.

Para algumas pessoas, porém, o maior problema é exatamente começar. Giasson conta que alguns conhecidos dizem invejar sua disposição. Para ele é como outro compromisso qualquer, basta se propor e realizar.

Corazza sugere alguns primeiros passos, como substituir o carro ou o ônibus por uma caminhada algumas vezes por semana, e encarar o exercício como algo benéfico, não uma obrigação. “Mesmo que (seja uma caminhada) breve você já estará beneficiando sua própria saúde. Entendemos que os exercícios físicos são um caminho prazeroso para ser seguido, fazem muito bem para você e para quem está presente no seu dia a dia, afinal, a atividade física é contagiante”, incentiva.

Caminhantes aventureiros

Um grupo de praticantes de caminhada em Pato Branco resolveu acrescentar generosas doses de aventura à prática de exercício físico. É o EcolDucks, que há cerca de três anos promove longas incursões por estradas rurais e também na área urbana.Com cerca de 80 a 100 membros frequentes, o grupo se reúne mensalmente para realizar caminhadas com distâncias que podem variar de 15 km a até 25 km.

José Luiz Bet
Membros do Ecolducks

A ideia surgiu por estímulo do advogado Fábio Forselini. Ele costumava realizar caminhadas de longa distância no sul de Minas Gerais, terra da esposa, e onde é comum a prática dessa modalidade. Segundo ele, além dos benefícios tradicionais do exercício físico, outra vantagem é a imersão na natureza.