Pato Branco

Confirmado óbito por Influenza A em Pato Branco

Gripe em idoso é coisa séria e a vacina é a melhor forma de evitá-la (Foto: Divulgação)

O setor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Pato Branco confirmou na tarde desta terça-feira (13) um caso de óbito por Influenza A Sazonal H3 no município. De acordo com a enfermeira Marinês dos Santos Fernandes, a morte ocorreu no dia 29 de maio e o Lacen-PR (Laboratório Central do Estado do Paraná) – laboratório de referência no Estado – confirmou a causa da morte por Influenza A Sazonal H3 no dia 6 de junho.

No entanto, no último Boletim da Gripe divulgado pela Sesa (Secretaria de Estado da Saúde do Paraná) em 8 de junho, esse episódio de influenza estava identificado apenas como um caso notificado da doença, e ainda não constava como óbito. Isso porque os dados apresentados no boletim davam conta de informações coletadas até a semana 22 de 2017, ou seja, dia 2 de junho.

Segundo a Sesa, a vigilância da Influenza e dos outros vírus respiratórios no Estado é realizada pela vigilância universal dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) dos internados e óbitos, e pela vigilância sentinela.

A vigilância sentinela é composta por uma rede de 47 unidades sentinelas (US), sendo 23 US de Síndrome Gripal (SG) e 24 US de Síndrome Respiratória Aguda Grave em UTI, que estão distribuídas em 15 Regionais de Saúde (RS) e 17 municípios no Estado do Paraná.

O objetivo desta vigilância é identificar o comportamento do vírus Influenza. Os dados são coletados por meio de formulários padronizados e inseridos nos sistemas on-line: Sivep-Gripe (sistema das Unidades Sentinelas) e Sinan Influenza Web (sistema de todos os internados e óbitos por SRAG). As amostras são coletadas e encaminhadas para análise no Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen/PR).

Caso em Pato Branco

De acordo com a enfermeira Marinês, o óbito ocorreu em uma paciente do sexo feminino, com 76 anos, residente no interior do município de São João, que fez a vacina da gripe no dia 18 de abril.

A paciente foi transferida para Pato Branco e internou no Hospital São Lucas no dia 27 de maio, sendo conduzida pelo Samu até o hospital. Marinês explicou que a paciente apresentava vários sintomas característicos da gripe, como febre, tosse e dispneia (dificuldade de respirar caracterizada por respiração rápida e curta, geralmente associada a doença cardíaca ou pulmonar).

Com o agravamento do quadro ela internou na CTI (Centro de Tratamento e Terapia Intensiva), “o caso foi notificado, houve coleta de swab (espécie de cotonete de cabo comprido que já vem esterilizado em um invólucro de papel, utilizado em laboratórios de análises clínicas) respiratório e iniciado o uso de antiviral oseltamivir”.

A enfermeira enfatizou que a paciente tinha como comorbidade (fatores de risco) pneumopatia crônica, doença renal crônica e obesidade, e faleceu no dia 29 de maio deste ano. “O resultado do exame foi liberado pelo Lacem no dia 6 de junho, detectável para Influenza A Sazonal / H3”, frisou.

Segundo Marinês é importante ressaltar que todo paciente internado com SRAG – Síndrome Respiratória Aguda Grave (indivíduo sintomático respiratório, que apresenta febre, tosse ou dor de garganta acompanhado de dispneia, desconforto respiratório ou saturação de oxigênio menor que 95%) dever ser notificado e realizada coleta de swab respiratório em 100% dos internados em leito regular ou CTI. “Todo indivíduo está susceptível, com maior risco para idosos, crianças menores de 5 anos, gestantes, puérperas, privados de liberdade, indígenas, trabalhadores de saúde, professores e pessoas com doença crônica pré-existente”. Todos pertencentes aos grupos-alvo da campanha de vacinação contra a gripe do Ministério da Saúde.

Ampliação da campanha

Até a manhã de segunda-feira (12) o Paraná já havia vacinado 2,7 milhões de pessoas, fazendo com que o Estado batesse a meta preconizada pelo Ministério da Saúde de vacinar 90% da população-alvo da campanha de vacinação contra a gripe. Na última semana, no entanto, a campanha foi ampliada e passa a contemplar também outros três grupos: cobradores e motoristas de ônibus de transporte público, cuidadores de pessoas vulneráveis (como idosos e acamados) e população em situação de rua.

De acordo com a enfermeira Hesni Ferraz Gorges, coordenadora de imunização do setor de Vigilância Epidemiológica, da Secretaria Municipal de Saúde, Pato Branco também irá vacinar os novos públicos-alvo da campanha.

“Já conversei com as empresas de transporte público e estamos aguardando os motoristas e cobradores para imuniza-los. A maioria dos cuidadores já foi vacinada durante a campanha, porque quando vacinamos os idosos e os acamados, também vacinamos os cuidadores. Em relação aos moradores de rua, estamos aguardando informações da Secretaria Municipal de Assistência Social, mas creio que o número é mínimo”, explicou.

De acordo com a Sesa, os piores índices de imunização ainda estão entre as gestantes e as crianças. Apenas 73% das mulheres grávidas e 75% das crianças entre seis meses e quatro anos de idade foram vacinadas no Paraná. A superintendente de Vigilância em Saúde, Júlia Cordellini, explicou que esses públicos são as maiores preocupações no momento. “Os sintomas da gripe podem evoluir mais rápido em crianças ou durante a gravidez e levar a quadros graves da doença”, ressaltou.